sexta-feira, 21 de abril de 2017

FALECIMENTO DA MINHA MÃE


Minha família. Daffé, Sofia, Rita e Lara


José Carlos Daffé  19/04/2017

Em 2017, eu tinha terminado de deitar, estava compondo e definindo o repertório do meu CD , definindo nomes de músicos, estúdio, arranjos, como seria a capa...

Sou o sexto filho  de uma família muito unida. Meu pai faleceu e deixou minha mãe gravida de três meses,  juntos viveram uns 16 anos. Minha mãe sempre me ensinou que a família é o que temos de mais importante.  Uma família de seis irmãos,  Francisco e Rosa já falecidos. Pedro, Lina,  Luis, José Carlos e uma irmã adotiva que é mais filha do que todos, minha mão era louca por essa filha “Leila Silvana”. Criou sete filhos vendendo cuscuz e lavando roupas para raparigas em Santa Inês na Praça da Saudade.

Meia noite uma ligação, Atendi a ligação e do outro lado da linha minha irmã Lina, estava em prantos. Nunca tinha visto sequer uma lágrima sair dos olhos dessa minha irmã.   Ela sempre foi um mulher  muito forte, mãe de dois filhos, Rafael e Eduardo, do tipo séria e, correta. Jamais demonstrara qualquer sinal de fraqueza diante da família.

Pensei! “Meu deus, o que aconteceu?” Antes que eu enunciasse a pergunta, veio a resposta do outro lado da linha: “mamãe não está se sentindo nada bem”!
Saí as pressas,  quando cheguei na casa de minha mãe olhei-a com um semblante triste e muito debilitada, um cansaço sem fim e um ronco muito estranho no peito. Ela dia 10 de maio faria 94 anos, não comia carne, a alimentação era peixe, frango ,  verdura, e tomava vinho, ela sempre dizia que ninguém é de ferro.

Levamos para Upa do Araçagi em São Luis – MA, ela conversando sempre com bom humor como nade tivesse acontecendo e na realidade só ela sabia o que estava sentindo. Uma mulher que nunca reclamou de dores, lutou muito pra criar os filhos, lutou  mais até do que por si mesma, não era de tomar remédio e muito menos ir para Hospital. Minha mão sempre tinha sua garrafada , aguardente Alemã, pílula contra a qual reclamava muito por ter saído do mercado.

Chegando na Upa, sentamos na cadeira da ante sala. Minha irmã perguntou se estava tudo bem... não respondeu nada, trouxeram a maca quando olhei que já não tinha mais força nas pernas e balançando com a cabeça com sinal de negação. Foi o fim, levaram para uma área vermelha como falam, e intubaram. Sempre temos uma esperança, ela mesma sempre me ensinou a pensar positivo, porque atrai coisas positivas, a visita era no outro dia, das 11 ao meio dia.

Nove horas do outro dia, o médico me liga dizendo que gostaria muito falar com a família. Pronto! Mais fui com esperança tanto eu como minha irmã.  Fiquei frente a frente com o médico, ele muito bem humorado, simpático, lembro que tinha tatuagens no corpo e de nome Rafael. Falamos bastante, finalmente a noticia. Sua mãe faleceu ás 9 da manhã, ela deu uma parada cardíaca as 7 horas e não voltou mais.

O que mais me conforta diante disso tudo, é que minha mãe sempre foi saudável, alegre, sempre cantava e dava a vida pelos filhos. Tinha um ditado que ela sempre dizia; “ duas coisas que eu tenho medo. “É de homem e de cachorro doido”. Morrei como um passarinho, sem sofrimento, em um sábado e o sepultamento foi em dia de domingo onde toda família teve presente sem atrapalhar ninguém em seu trabalho e nos seus afazeres. A missa será dia de Tiradentes, 21 de abril ás 17;30 também sem atrapalhar ninguém porque é feriado.

Minha mãe faleceu  em 15 de abril de 2017. Não quero ter  bloqueio com essa data do seu falecimento. Quero sempre lembrar e ascender velas e rezar, afinal era uma católica praticante gostava muito de ir á missa. Se alguém perguntasse se ela ia orar, na mesma hora ela dizia; “eu não oro, eu rezo”.

 Só lembrando, sou casado. Minha mulher se chama Rita. Estamos juntos há 25 anos. Tenho duas filhas, Lara e Sofia, minha mãe era louca por elas. O apoio que Rita me deu no momento, não pode ser traduzido em palavras. Sem ela não teria conseguido a paz e a tranquilidade no momento.
Na realidade Vivemos um momento estranho na nossa sociedade. Pessoas pensando só nos seus próprios umbigos, grande intolerância coletiva, inversão de valores básicos, banimento da gentileza, ausência de amor.

 É preciso ter um propósito maior. É preciso exercitar a sua humanidade. Minha mãe me pegou pela mão e me mostrou isso. E me deixou isso como legado. A última lição da dona Maria  de Assunção Silva, 93 anos, Piauiense de José de Freitas

Que eu espero estar seguindo a contento. Meu. E dela.

2 comentários:

Robson Coral disse...

Lindo texto. Pena que só o encontrei agora.

Não Perca o Trem disse...

Lindo texto. Bela homenagem à sua mãe. Meus sinceros sentimentos.

SHOW NA AABB - HAPPY HOUR