quinta-feira, 8 de agosto de 2013

DOMINGUINHOS ENCONTRA LUIZ GONZAGA




Caricaturas de Nei Lima (enviadas pelo autor)

O poeta Stélio Torquato Lima nos envia em primeira mão seu novo folheto intitulado O ENCONTRO DE GONZAGÃO E DOMINGUINHOS NO CÉU, um trabalho muito bom, como tudo o que ele tem produzido ultimamente. Não vamos publicá-lo na íntegra para não prejudicar a venda do folheto. Seguem alguns trechos do referido cordel:


Enquanto o Nordeste chora
A morte de Dominguinhos,
No céu há uma grande festa,
Pois um coro de anjinhos
Dá ao mestre as boas-vindas,
Em meio a canções tão lindas,
Qual som de mil passarinhos.
 

Zé Domingos de Morais,
O arretado sanfoneiro,
Nascido em 41,
A 12 de fevereiro,
Agradeceu com emoção
Aquela recepção,
Que o comoveu por inteiro.


O filho de Garanhuns
Viu passar logo em sequência
Um filme em sua mente
De toda a existência.
Viu seu pai, mestre Chicão,
Afinando acordeão
Com bastante competência.


Infância humilde, mas boa,
Vivida com os dois manos.
A sanfona de oito baixos
Que ele ganhou aos seis anos.
O estudo do instrumento,
Já demonstrando talento
Junto aos pernambucanos.


Deslizando os seus dedos
Pela extensão do teclado,
O menino demonstrava
Que estava vocacionado
Para a vida estradeira,
E ia, de feira em feira,
A lutar por um trocado.


Junto com os dois irmãos,
Logo um grupo formou.
Foi assim que “Os três pinguins”,
Como o trio se chamou,
Conseguiu algum dinheiro,
Um reforço financeiro
Que aos seus pais alegrou.


Dominguinhos, com esforço 
E com grande disciplina,
Foi dominando o instrumento,
A adorável concertina.
E, dominando a sanfona,
Tirou os seus pais da lona,
Mudando deles a sina.


Foi tocando em um hotel
Que ele conheceu Gonzaga,
Um encontro decisivo,
Que traçaria a saga
Do talentoso guri.
Que tivera, até ali,
Uma existência aziaga


Um funcionário do hotel
Mandou que ele entrasse
E pediu que o garotinho
Para um hóspede tocasse.
Dominguinhos não sabia
Que Gonzaga é que queria
Que ele o talento mostrasse.

(...)


Nessa viagem no tempo
Dominguinhos se entretém.
De repente, ouviu uma voz
Que ele conhecia bem:
“Meu Jesus de Nazaré!
Aquele cabra não é
Meu conterrâneo Neném?”

Ouvindo o apelido
Que vinha lá da infância,
Dominguinhos se virou,
Vendo, a pequena distância
Daquela celeste plaga,
A figura de Gonzaga,
Que ria em abundância.

Sem qualquer tempo a perder,
Dominguinhos caminhou
Na direção de seu mestre,
A quem logo abraçou.
Ao reencontro dos dois,
Uma festa, logo depois,
Lá no céu se iniciou.

Assim, naquelas paragens
De paz e grande sossego,
Logo uma melodia linda,
De agradar troiano ou grego,
Fez Domingos sorrir,
Pois se estava a ouvir
“De volta pro aconchego”.

(...)


Dessa forma é que ocorreu,
Sem drama nem escarcéu,
O encontro de Gonzagão
E Dominguinhos no céu.
Digo a quem não crê em mim:
“Eu só sei que foi assim”,
E saio, rindo ao léu.
PARABÉNS, PROFESSOR STÉLIO!


CENTENÁRIO DE LUIZ GONZAGA




O Rei do Baião - Do Nordeste para o
 mundo" apresenta a vida de Luiz
 Gonzaga às crianças em forma de
literatura de cordel

(Por Lu Fernandes, da assessoria de imprensa da Editora Planeta Jovem)

Escrito pelo cordelista Arievaldo Viana, o novo lançamento da Planeta Infantil celebra o centenário do "rei do baião" e vem ricamente ilustrado com gravuras de Jô Oliveira.


Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em 1912, no município de Exu, Pernambuco. E, se estivesse vivo em 2012, o “rei do baião”, autor de clássicos da música brasileira como Asa branca, Assum preto, Juazeiro e Xote das meninas, completaria 100 anos no dia 13 de dezembro.
Além de divulgar suas músicas com temas sobre o sertão, o homem sertanejo e as festas juninas, o “velho Lua”, como era carinhosamente chamado pelos amigos e admiradores, apresentou a cultura brasileira para os quatro cantos do Brasil e do mundo. Gêneros musicais tipicamente nordestinos, como xote, baião, forró e xaxado, tornaram-se conhecidos e influenciaram outros ritmos, criando novas gerações de cantores e compositores.
Em O rei do baião – Do Nordeste para o mundo (Planeta Infantil, 40 págs., R$ 29,90), o poeta cearense Arievaldo Viana “cordeliza” a vida de Luiz Gonzaga, desde sua infância até sua morte, passando por seus amores e seu enorme sucesso popular, e para isso escreve todo o texto usando versos de estrutura típica da literatura de cordel. A história ganha textura e sensibilidade por meio das cores e formas das gravuras do pernambucano Jô Oliveira, um dos mais atuantes artistas gráficos do país dedicados a esse estilo.
Gracioso e musical como a obra de seu homenageado, o texto possibilita uma leitura fluente para os pequenos leitores e apresenta a eles, também, um vocabulário rico e colorido, celebrando a riqueza e a sonoridade da língua portuguesa. Além disso, apresenta às crianças personagens célebres de nossa cultura, que, de alguma forma, conviveram com Gonzagão. Ary Barroso, Zé Dantas, Humberto Teixeira, Gilberto Gil, Tom Zé, Caetano Veloso e o cantor Gonzaguinha, filho do Gonzagão, são alguns deles.


Leia, abaixo, um pequeno trecho do livro:


Na sua infância matuta
Gonzaga viveu feliz
Brincando com seus irmãos
Teve a vida que bem quis
E aprontou travessuras
Conforme a história diz.


Quando seu pai, Januário,
Deixava a sua oficina
E seguia pro roçado,
Gonzaga então se destina
Pra lá, a fim de aprender
Tocar uma concertina.


Sobre o autor

Arievaldo Viana nasceu em Quixeramobim (CE), em 1967, e hoje vive em Fortaleza (CE), onde trabalha como ilustrador em jornais e boletins do movimento sindical cearense. É radialista, publicitário, chargista, xilogravador e poeta popular.
Um dos mais conhecidos cordelistas brasileiros, é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, eleito no ano 2000 e ocupando a cadeira de número 40. Agitador cultural, divulga a literatura de cordel em todo o país. Tem cerca de 30 livros e mais de 100 livretos de cordel publicados.


Sobre o ilustrador

Jô Oliveira nasceu na ilha de Itamaracá (PE), em 1944, e hoje vive entre Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ). Jornalista e professor universitário, é atualmente um dos mais importantes ilustradores brasileiros, da mesma geração de Rui de Oliveira e de outros que estudaram na Rússia e só retornaram ao Brasil com o fim da ditadura. Possui mais de 60 livros publicados.
É um dos mais atuantes artistas brasileiros. Ganhou os mais importantes prêmios da área de literatura infantojuvenil, como o Altamente Recomendáveis (FNLIJ), e é um dos ilustradores oficiais da ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telegráfos, já tendo feito selos comemorativos muito disputados entre colecionadores.




Informações – Lu Fernandes Comunicação e Imprensa
Tel.: (11) 3814-4600
Atendimento: Fabio Rigobelo


O Rei do Baião - Do Nordeste para o mundo
Autor: Arievaldo Viana
Editora: Planeta
Páginas: 40
Preço: R$ 29,90

O REI DO BAIÃO,
DO NORDESTE PARA O MUNDO
Arievaldo Viana e Jô Oliveira
Edição colorida, totalmente em papel couché, tamanho 27 x 17,5 cm

Editora Planeta Jovem
Preço: R$ 29,00

Biografia em cordel de Luiz Gonzaga, com destaque para suas travessuras de infância e paixões da adolescência.









ZÉ LIMEIRA



ZÉ LIMEIRA
(Teixeira, 1886 - 1954) foi o cordelista/repentista mais mitológico do Brasil. Era conhecido como "Poeta do Absurdo".


O meu nome é Zé Limeira
De Lima, Limão , Limansa
As estradas de São Bento
Bezerro de Vaca Mansa
Valha-me, Nossa Senhora
Ai que eu me lembrei agora:
Tão bombardeando a França

Ninguém faça pontaria
Onde o chumbo não alcança
E vou comprá quatro livro
Prá estudá leiturança
Bem que meu pai me dizia:
Jesus , José e Maria,
São João das Orelha mansa

Ainda não tinha visto
Beleza que nem a sua,
De cipó se faz balaio
A beleza continua
Sete-Estrelo, três Maria
Mãe do mato pai da lua

A beleza continua
De cipó se faz balaio
Padre-Nosso, Ave-Maria,
Me pegue senão eu caio
Tá desgraçado o vivente
Que não reza o mês de maio

Sei quando Jesus nasceu,
Num dia de quinta-feira,
Eu fui uma testemunha
Sentado na cabeceira
São José chegou com um facho
De miolo de aroeira

Um dia o Reis Salamão
Dormiu de noite e de dia,
Convidou Napoleão
Pra cantá pilogamia
Viva a Princesa Isabé
Que já morô em Sumé
No tempo da monarquia

Zé Limeira quando canta
Estremece o Cariri
As estrêla trinca os dente
Leão chupa abacaxi
Com trinta dias depois
Estoura a guerra civí

A seguir o mais famos dos textos do cordelista do absurdo:

O Marechal Floriano
Antes de entrar pra Marinha
Perdeu tudo quanto tinha
Numa aposta com um cigano
Foi vaqueiro vinte ano
Fora os dez que foi sargento
Nunca saiu do convento
Nem pra lavar a corveta
Pimenta só malagueta
Diz o Novo Testamento!

Pedro Álvares Cabral
Inventor do telefone
Começou tocar trombone
Na volta de Zé Leal
Mas como tocava mal
Arranjou dois instrumento
Daí chegou um sargento
Querendo enrabar os três
Quem tem razão é o freguês
Diz o Novo Testamento!

(...)

Quando Dom Pedro Segundo
Governava a Palestina
E Dona Leopoldina
Devia a Deus e o mundo
O poeta Zé Raimundo
Começou castrar jumento
Teve um dia um pensamento:
“Tudo aquilo era boato”
Oito noves fora quatro
Diz o Novo Testamento!





Orlando Tejo nasceu em 1935, na cidade de Campina Grande, PB. Bacharel em Direito, poeta, ensaísta, jornalista, folclorista, professor, Orlando Tejo publicou, na área de Folclore, Zé Limeira, poeta do absurdo (1980), colaborando em revistas e jornais nordestinos.
Um Poeta Absurdo
Entrevista a Eleuda de Carvalho    
Magro e branco, com seu belo bigode cáqui, fumando cachimbo com um ar de lorde sertanejo. Foi assim que eu vi o advogado, folclorista, jornalista e poeta Orlando Tejo, natural de Campina Grande (PB). Apaixonou-se pela cantoria menino, quando também começou a trabalhar na Rádio Caturité.  
      Com o AI-5, em 68-69, suas colunas nos jornais de João Pessoa e Recife tinham que vir sem assinatura. Mas ele sobreviveu. Enquanto isso, pesquisava. Principalmente, a vida e obra do esdrúxulo Zé Limeira, ``tropicalista rude, que trouxe a vocação do fantástico. O único surrealista bárbaro perdido nos sertões do Nordeste.""  
      A primeira edição do livro Zé Limeira, poeta do absurdo saiu, depois de muita novela, em 1980. A nona está sendo preparada para começo de junho. A décima, pela Ateliê Editorial de São Paulo, será o volume dois da ``Coleção Confederada"", do pessoal do jornal O Pão.  
      Quem me apresentou os versos estrambóticos desse tal de Zé Limeira foi meu parceiro de Rádio Universitária, José Rômulo Mesquita Martins. Pois fomos, num fim de manhã, a uma cantoria quase, no sugestivo Rostro Hermoso. E tome poligamia!  


SHOW NA AABB - HAPPY HOUR