domingo, 1 de setembro de 2013

PAULO LEMINSKI



Paulo Leminski - o poeta dos haicais e trocadilhos


A coleção de poemas que Paulo Leminski publicou em livros, inclusive póstumos, reunida em Toda Poesia [Companhia das Letras, 2013, 421 p.], bateu recordes: alcançou os 50 mil exemplares vendidos, soma nada desprezível para o mercado livreiro, e particularmente de poesia, no Brasil.
Leminski foi vários: poeta, publicitário, jornalista, tradutor, professor, judoca, romancista, contista. E músico. Revoltava-lhe, aliás, ser reconhecido apenas como letrista. Tinha razão: embora compusesse em parceria, e muito de sua obra musical ter surgido pelas mãos de parceiros que musicaram versos publicados em livros, o samurai malandro compunha letra e música.
Casos de Verdura, gravada por Caetano Veloso em Outras palavras [1980], e Luzes, gravada por Suzana Salles e Arnaldo Antunes, ela uma das Orquídeas do Brasil, banda de mulheres que acompanhou Itamar Assumpção – parceiro de Leminski – no triplo Bicho de Sete Cabeças [1993].
Não à toa, antes dos apêndices – orelhas, prefácios e tais – de Toda Poesia, lemos Notas sobre Leminski cancionista [p. 385], breve artigo assinado por José Miguel Wisnik – que já musicou tradução de Leminski. Entre as histórias que conta, aliás, está a de como Luzes chegou, através de recados ao telefone, aos ouvidos e mãos de Suzana e Arnaldo, num episódio que envolve, além dele, Alice Ruiz e Zé Celso Martinez Correa.
Wisnik diz que se o projeto de um Leminski músico não se concretizou plenamente, encontra na obra do ex-Titã sua mais perfeita tradução: a combinação entre o poema grafado na página do livro e a canção gravada no disco. Canção pop.
Através de sua obra, Leminski permanece vivíssimo hoje. É inegável que a gravação de Verdura por Caetano tenha colaborado para sua popularidade na década de 1980, quando Caprichos e relaxos [1983] esgotou edições na saudosa Brasiliense, que teve como editor Luiz Schwarz, que devolve Leminski às estantes em Toda Poesia, e que lançou no Brasil autores fundamentais como Jack Kerouac e John Fante – este, aliás, traduzido por Leminski.
Leminski músico – No campo musical Leminski tem obra curta, mas nada desprezível. Só as duas aqui citadas já lhe garantiriam lugar no panteão de nossos grandes compositores, merecendo mais espaço no dial. Entre outras de sua lavra poderíamos citar rapidamente Custa nada sonhar, Dor elegante, Filho de Santa Maria, Vamos nessa (as quatro com Itamar Assumpção), Mudança de estação, sucesso dA Cor do Som, Promessas demais (com Moraes Moreira e Zeca Barreto), gravada por Ney Matogrosso, Polonaise (com José Miguel Wisnik, gravada pelo próprio), Além alma (com Arnaldo Antunes), O velho León e Natália em Coyoacán (com Vitor Ramil), Reza (com Zeca Baleiro) e O Deus (com Ademir Assunção e Edvaldo Santana).
Leminski colecionou histórias engraçadas envolvendo sua produção musical. Uma delas a citada revolta confessada quando queriam rotulá-lo simplesmente letrista. “Eu sou músico!”, bradava, revoltado. E sonhava com o dia em que todas as pessoas fossem músicos, tocassem algum instrumento.
Com a grana dos direitos autorais da gravação de Verdura, por Caetano Veloso, comprou um fusca verde, justamente batizado de... Verdura. Detalhe: Leminski não dirigia. Foi Leminski quem deu ao xará Paulo Diniz o título de uma de suas mais famosas músicas: Ponha um arco-íris na sua moringa. Era uma frase do Catatau, que estava escrevendo quando os dois moravam no Solar da Fossa. Diniz usou-a para intitular a música e o poeta, em homenagem ao amigo, retirou-a do livro.
Também é famosa a correção que o poliglota Leminski aplicou ao mesmo Paulo Diniz na construção da letra de Quero voltar pra Bahia, cujo refrão é em inglês: “I don’t want to stay here/ I wanna to go back to Bahia”. Mexer na letra e retirar o verbo duplicado, como queria Leminski, iria acabar com a métrica e a homenagem do baiano ao conterrâneo exilado acabou saindo com o erro com que a conhecemos.
A obra musical de Paulo Leminski será sua próxima porção a chegar ao público. Aprovado pelo Programa Petrobras Cultural, o projeto A obra musical de Paulo Leminski – um patrimônio cultural do Paraná e do Brasil prevê a digitalização das fitas cassetes deixadas por Leminski (contendo dezenas de canções inéditas) e a posterior organização de um livro de partituras com sua obra musical completa.
Sobre este e outros assuntos, em entrevista por e-mail, uma das responsáveis pela empreitada, a musicista Estrela Ruiz Leminski, filha de Alice Ruiz e Paulo Leminski, deu detalhes sobre a produção.
Poesia – Prosa - Música

P. Leminski, por Fraga
"Poeta não é só quem faz poesia. É também quem tem sensibilidade para entender e curtir poesia. Mesmo que nunca tenha arriscado um verso. Quem não tem senso de humor, nunca vai entender a piada."
- P. Leminski, em "correspondência a Régis Bonvicino".



Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989) foi escritor, poeta, compositor, contista, tradutor, biógrafo, publicitário e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô.

Dos poetas da sua geração, Paulo Leminski foi aquele que com maior radicalidade integrou a artesania da palavra com a espontaneidade da criação. Sem pudores de rimar humor e dor, seus textos podem ser lidos em múltiplos registros, do culto ao popular, sem perder seu poder de comunicabilidade. Estudioso de línguas e pesquisador da linguagem, sua obra está mais próxima a da "poesia de invenção", e na prosa, ao "experimentalismo", tendo em seu "Catatau" e em "Agora é que são elas", dois momentos altos desta prosa chamada por ele mesmo de "porosa".

P. Leminski, por Marcos Guilherme
Mestiço de pai polonês com mãe negra, é dono de uma extensa e relevante obra. Desde cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, trabalhando poemas breves, trocadilhos, brincando com ditados populares. Foi um importante divulgador do haicai no Brasil, gênero da poesia japonesa que praticava com maestria. Aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo, onde estudou grego e latim. Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras.

Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, porta-voz da poesia concreta paulista. Teve ao seu lado por vinte anos a poeta Alice Ruiz, com quem teve três filhos. Juntos influenciaram decisivamente não apenas a cena da poesia da sua época, mas, toda uma geração.

A música foi uma de suas paixões, proporcionando uma discografia rica e variada. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração da poesia marginal. Em 1975 lançou o seu ousado Catatau, que denominou "prosa experimental".


P. Leminski, por Seto
Além de poeta e prosista, Leminski foi também tradutor. Sua personalidade inquieta, intensa e carismática, seu pensamento arrojado e inventivo, transformou-o em referência no cenário da cultura brasileira.

Conviveu com poetas, músicos e intelectuais de sua época como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Régis Bonvicino, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Jorge Mautner, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Fred Maia, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba, Ivo Rodrigues. Foi tradutor de Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima.

Entre 1987 e 1989 foi colunista do Jornal de Vanguarda que era apresentado por Doris Giesse na Rede Bandeirantes. Foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 a biografia de Matsuo Bashô. Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 30 anos.
Fonte texto: alexandre-brito.blogspot.com


"esta vida é uma viagem
pena eu estar

só de passagem"
- P. Leminski

Em sua correspondência a Régis Bonvicino, Leminski declara:
"Ser poeta é ter nascido com um erro de programação genética que faz com que, em lugar de você usar as palavras pra apresentar o sentido delas, você se compraz em ficar mostrando como elas são bonitas, têm um rabinho gostoso, são um tesão de palavra."

E acrescenta, reafirmando a correspondência sexual da fruição poética:
"O poeta é aquele que deglute a palavra como objeto sexual mesmo, como um objeto erótico. Para mim, a poesia é a erotização da linguagem, o princípio de prazer na linguagem."



Manuscrito de P. Leminski



P. Leminski, por Zel humor
CRONOLOGIA 
1944 - Nasce em Curitiba, no dia 24 de agosto, filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes Leminski.
1949 - Muda-se com a família para Itapetininga, São Paulo, por ocasião da promoção do pai a subtenente do Exército e sua transferência.
1956 - A família volta a viver em Curitiba.
1958 - Com autorização dos pais, muda-se para São Paulo para estudar no colégio do Mosteiro de São Bento, em regime de internato.
1959 - Volta para Curitiba após desligamento do Colégio São Bento por questões disciplinares.
1963 - Ingressa nos cursos de letras e direito ao mesmo tempo. Participa da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, realizada na Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, em Belo Horizonte.
1964 - Tem cinco poemas publicados na revista concretista Invenção. Abandona os dois cursos e começa a trabalhar como professor num curso pré-vestibular.
1968 - Casa-se com a poeta Alice Ruiz.
1969 - Muda-se para o Rio de Janeiro, e trabalha como jornalista em diversas publicações. Numa delas, o Jornal do Escritor, publica o Poema com Aparato Persa e um ensaio sobre o concretismo, ainda inédito em livro.
P. Leminski, por Farol Multimídia
1971 - Volta a viver em Curitiba, onde trabalha como professor de cursinhos pré-vestibular.
1972 - Começa sua carreira como redator em agências de publicidade
1975 - É lançado seu romance experimental Catatau.
1981 - Caetano Veloso grava a música Verdura, com letra do poeta, no disco Outras Palavras.
1983 - Inicia sua colaboração com a Editora Brasiliense, que se estende até 1986.
1984 - Escreve em parceria com o compositor Guilherme Arantes a trilha sonora do musical infantil Pirlimpimpim, produzido pela Rede Globo.
1988 - É convidado a criar um programa de cultura na TV Bandeirantes, o Jornal de Vanguarda, que ele apresenta de segunda a sexta.
1989 - Morre em Curitiba no dia 7 de junho.
1990 - As biografias de Cruz e Sousa, Matsuó Bashô, Jesus e Leon Trostki, escritas na década de 1980, são reunidas num único volume, Vida.
1991 - Publicação de La Vie en Close.
1992 - Publicação de Uma Carta uma Brasa Através/ Cartas a Régis Bonvicino.
1994 - Publicação de Metamorfose - Uma Viagem pelo Imaginário Grego (ensaios).



Manuscrito de  P. Leminski

OBRA POÉTICA E LITERÁRIA 
Poesia
LEMINSKI, Paulo. Quarenta clics em Curitiba.[Poesia e fotografia, com o fotógrafo Jack Pires]. Curitiba: Etecetera, 1976.
P. Leminski, por (...)
____. Polonaises. Curitiba: Ed. do Autor, 1980.
____. Não fosse isso e era menos, não fosse tanto e era quase (80 poemas). Curitiba: Zap, 1980.
____. Tripas. Curitiba: Ed. do Autor, 1980.
____. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1983.
____; RUIZ, Alice. Hai Tropikais. Ouro Preto: Fundo Cultural de Ouro Preto, 1985.
____. Um milhão de coisas. São Paulo: Brasiliense, 1985.
____. Caprichos e relaxos. São Paulo: Círculo do Livro, 1987.
____. Distraídos venceremos. São Paulo: Brasiliense, 1987.
____. La vie en close. [edição póstuma]. São Paulo: Brasiliense, 1991.
____. Winterverno. [edição póstuma] Com desenhos de João Virmond. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1994.
____. O ex-estranho. [edição póstuma]. São Paulo: Iluminuras, 1996.
____. Melhores poemas de Paulo Leminski. (Orgs.). MARINS, Alvaro; GÓES, Fréd. São Paulo: Global, 1996.

P. Leminski, por Osvalter 
(Gazeta do Povo)
Romance
LEMINSKI, Paulo. Catatau. Curitiba: Ed. do Autor, 1975, p. 213.
____. Agora é que são elas. São Paulo: Brasiliense, 1984, p.163.

Novela
LEMINSKI, Paulo. Minha classe gosta. (Logo, é uma bosta). Curitiba: Raposa Magazine. Fundação Cultural de Curitiba/PR, nº 4, nov/1981.

Conto
LEMINSKI, Paulo. Descartes com lentes. [edição póstuma]. Coleção Buquinista. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1995.
____. Gozo Fabuloso. [edição póstuma]. São Paulo: DBA, 2004.

Biografias
LEMINSKI, Paulo. Cruz e Souza, o Negro Branco. São Paulo: Brasiliense. 1985, p.78.
____. Matsuó Bashô, a lágrima do Peixe. São Paulo: Brasiliense, 1983.
____. Jesus A.C. São Paulo: Brasiliense, 1984, p. 119.
____. Trotski: a paixão segundo a revolução. São Paulo: Brasiliense, 1986.
____. Vida. [reunião das biografias anteriores]. Porto Alegre: Sulina, 1990.


"entro e saio
dentro
é só ensaio"
- P. Leminski

Ensaios (*)
P. Leminski, por Paixão
LEMINSKI, Paulo. Anseios crípticos (anseios teóricos): peripécias de um investigador dos sentido no torvelinho das formas e das ideias. Curitiba: Criar, 1986, p. 143.
____. Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego. [edição póstuma]. São Paulo: Iluminuras, 1994.
____. Ensaios e anseios crípticos. [edição póstuma]. Curitiba: Polo Editorial, 1997.
____. Anseios Crípticos 2. [edição póstuma]. Curitiba: Criar, 2001.
____. "Apêndice". In: POE, Edgar Allan. O corvo. São Paulo: Expressão, 1986.
____. "Poesia paixão da linguagem". In: Sentidos da paixão. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 1987.
____. "Nossa linguagem". [edição póstuma]. In: Leminski, Paulo (Org.). Revista Leite Quente. Curitiba, Fundação Cultural de Curitiba, v.1, n.1, mar.1989.
Alguns ensaios disponíveis em: FRÓES, Élson. Site sobre Paulo Leminski [Kamiquase]

Literatura Infanto-juvenil
LEMINSKI, Paulo. Guerra dentro da gente. São Paulo: Scipione, 1986, p. 64.
____. A lua foi ao cinema. [edição póstuma]. São Paulo: Pau Brasil, 1989. 


LEMINSKI - ROTEIROS DE H.Q.
LEMINSKI, Paulo. O anãozinho do bordel. Grafipar, 1979, PR. Reproduzida em "Volúpia" de Júlio Shimamoto. Opera Graphica, SP, 2000.
____. Sinal verde para o prazer. Grafipar - Paraná, 1979.
____. A vida e morte. Grafipar - Paraná, 1979.


P. Leminski, por Amorim
LEMINSKI - TEXTOS INÉDITOS
LEMINSKI, Paulo. Argumento. Peça teatral.
____. Roteiro para documentário sobre o Museu David Carneiro.
____. Quando papai voltar. Roteiro de H.Q.

LEMINSKI - CORRESPONDÊNCIAS
LEMINSKI, Paulo. Uma carta uma brasa através. [Cartas a Régis Bonvicino]. Iluminuras, São Paulo, 1991.
____. Envie meu dicionário. [Cartas a Régis Bonvicino e alguma crítica]. 34 Letras, São Paulo, 1999.

LEMINSKI - ENTREVISTAS
LEMINSKI, Paulo. Entrevista concedida pelo poeta paranaense [a Ademir Assunção], publicada na revista Medusa. Curitiba, n. 6, p. 7-9, ago./set. 1999.
____. Um escritor na biblioteca ("bate-papo"). Biblioteca Pública do Parana, Curitiba, 1985.
____. Paulo Leminiskireunião de entrevistas e resenhas. [Série Paranaenses nº 2], Scientia et Labor, Curitiba, 1988.


LEMINSKI NO CINEMA
LEMINSKI, Paulo. Roteiro para documentário sobre o Museu David Carneiro.
____. Drama da fazenda Fortaleza. (participação no roteiro).


BIOGRAFIA DE PAULO LEMINSKI
VAZToninhoPaulo Leminski - O Bandido Que Sabia Latim. Record, 2001, p. 378.


PAULO LEMINSKI  - PUBLICAÇÕES NO EXTERIOR
LEMINSKI, Paulo. Szórakozott Gyozelmunk[Tradução de Zoltán Egressy]. Hungria: Kráter, 1994.
____. Aviso a los náufragos. [Traduzida por Rodolfo Mata]. Coyoacán-México: Eldorado, 1997, p. 79.
____. Lemiskiana: Antología Variada. [Tradução Mario Cámara]. Buenos Aires: Corregidor, 2005.


TRADUÇÕES REALIZADAS POR PAULO LEMINSKI 
P. Leminski, por (...)
BECKETT, Samuel. Malone Morre. [Por: Paulo Leminski]. São Paulo: Brasiliense, 1986. 16Op. lndicação editorial, posfácio e traduções do francês e inglês. (Malone Dies)
FANTE, John. Pergunte ao pó. [Por: Paulo Leminski]. São Paulo: Brasiliense, 1984. (Ask the dust)
FERLINGHETTI, Lawrence. Vida sem fim. [Por: Paulo Leminski; Nelson Ascher] São Paulo: Brasiliense, 1984. (Endless life)
JARRY, Alfred. O supermacho. [Por: Paulo Leminski]. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 135. (The Supermale)
JOYCE, James. Giacomo Joyce. [Por: Paulo Leminski]. São Paulo: Brasiliense, 1985,p. 94. Edição bilingüe, tradução e posfácio. (Giacomo Joyce)
LENNON, John. Um atrapalho no trabalho. [Por: Paulo Leminski]. São Paulo:Brasiliense, 1985. (A Spaniard In The Works)
MISHIMA, Yukio. Sol e aço. [Por: Paulo Leminski]. São Paulo: Brasiliense, 1985. (Tayô to tetsu).
PETRÔNIO, Satyricon. [Por: Paulo Leminski]. São Paulo: Brasiliense, 1985, p.19. Tradução do latim. (Satyriconlibri).
. Fogo e água na terra dos deuses. Poesia egípcia antiga. [Por: Paulo Leminski].São Paulo: Expressão,1987, p. 28.Coleção Bagatela II, volume 1.


PRODUÇÃO MUSICAL DE PAULO LEMINSKI
P. Leminski, por Cesar
1981 Verdura. [Caetano Veloso], no disco "Outras palavras".
1981 Mudança de estação. [A cor do Som], no disco "Mudança de estação".
1981 Valeu. [Paulinho Boca de Cantor], no disco "Valeu".
1982 Se houver céu. [Paulinho Boca de Cantor], no disco "Prazer de viver".
1982 Razão. [A Cor do Som], no disco "Magia tropical".
1988 - Filho de Santa Maria. [com Itamar Assumpção], no disco “Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava!!!”.
1990 Verdura. [Blindagem], no disco "Blindagem".
1990 Se houver céu. [Blindagem], no disco "Blindagem".
1993 Mãos ao alto. [Edvaldo Santana], no disco "Lobo solitário".
1994 Luzes. [Susana Sales], no disco "Susana Sales".
1996 Mudança de estação. [A cor do Som], no disco "Ao vivo no circo".
2004 - Flôr de cheiro, Quem faz amor faz barulho, Caixa furada. [com Marinho Gallera], no disco "Fazia poesia".
2004 - Valeu e Se houver céu. [Paulinho Boca de Cantor], no disco "Gera sons - ao vivo".
2006 - Não Mexa Comigo. [com Casca de Nós] - Estrela Ruiz Leminski e Teo Ruiz, no disco "Tudo tem recheio".


PAULO LEMINSKI - GRAVAÇÕES MUSICAIS EM PARCERIA
Letras: Paulo Leminski - Música: dos parceiros.
1976 Festa Feira. [com Celso Loch], no disco "Mapa - Movimento de atuação Paiol".
1977/78 - Me provoque pra ver e Buraco no coração. [1º compacto], da banda "A chave".
1982 Promessas demais. [com Moraes Moreira e Zeca Barreto], gravação por Ney Matogrosso.
1982 Decote Pronunciado. [com Moraes Moreira e Pepeu Gomes], no disco "Coisa acesa".
1982 Baile no meu coração; Pernambuco Meu. [com Moraes Moreira], no disco "Coisa acesa".
1983 Sempre Ângela. [com Moraes Moreira e Fred Góes], no disco "Sempre Ângela" de Ângela Maria.
1983 Oxalá; Teu cabelo. [com Moraes Moreira], no disco "Pintando o 8".
1984 Mancha de Dendê não sai. [com Moraes Moreira], no disco "Mancha de dendê não sai".
1984 Milongueira da Serra Pelada; O Prazer do Poder; Circo Pirado; Xixi nas estrelas;Cadê Vocês?; Coração de Vidro; Frevo Palhaço; Viva a Vitamina. [com Guilherme Arantes] no disco "Pirlimpimpim 2".
P. Leminski - ilustração de Candido
1985 Alma de Guitarra. [com Moraes Moreira], no disco "Tocando a vida".
1985 Vamos Nessa. [com Itamar Assumpção], no disco "Sampa midnight".
1986 Desejos Manifestos. [com Moraes Moreira e Zeca Barreto], no disco "Mestiço é isso".
1986 Morena Absoluta. [com Moraes Moreira], no disco "Mestiço é isso".
1988 UTI. [com Arnaldo Antunes], gravado por Clínica no disco "Clínica".
1990 Oração de um Suicida. [com Pedro Leminski, Blindagem], no disco "Blindagem".
1990 Sou legal eu sei; Não posso ver; Palavras; Hoje; Marinheiro; Quanto tempo mais;Legião de anjos. [com Ivo Rodrigues], no disco "Blindagem".
1991 Lêda. [com Moraes Moreira], no disco "Cidadão".
1991 Morena Absoluta. [com Moraes Moreira], no disco "Optimun in Habbeas Coppus".
1992 - Polonaise; e Subir Mais. [com José Miguel Wisnik] no disco "José Miguel Wisnik".
1993 Alles Plastik. [com Carlos Careqa], no disco "Todos os homens são iguais".
1993 Freguês Distinto. [com Edvaldo Santana], no disco "Lobo solitário".
1993 Custa nada sonhar. [com Itamar Assumpção], no disco 'Bicho de sete cabeças".
1994 Polonaise. [com José Miguel Wisnik], na trilha sonora do filme "Ed Mort".
1995 O Deus. [com Edvaldo Santana e Ademir Assunção], no disco "Tá Assustado?" de Edvaldo Santana.
1996 Filho de Santa Maria. [com Itamar Assumpção], gravado por Zizi Possi no disco "Mais simples".
1996 Ode X. [com Marcelo Solla], no disco "Marcelo Solla".
1997 Lua no Cinema. [com Eliakin Rufino], no disco "Sansara" da Sansara.
1997 Lêda. [com Moraes Moreira], no disco "50 Carnavais".
1997 Mancha de dendê não sai. [com Moraes Moreira], no disco "50 Carnavais".
1997 Parece que foi ontem. [com Bernardo Pelegrini], no disco "Quero seu endereço", da banda Bernardo Pellegrini e o bando do cão sem dono.
1997 Filho de Santa Maria. [com Itamar Assunção], no disco "Quero seu endereço", da banda Bernardo Pellegrini e o bando do cão sem dono.
1998 Legião de Anjos; e Rapidamente. [com Ivo Rodrigues], no disco "Dias Incertos".
1995 Filho de Santa Maria. [com Itamar Assumpção e Banda Beco], no disco "Beco".
1995 V. de Viagem; Peso da Lua. [com Banda Beco], no disco "Beco".
1998 Coisas. [com Celso Loch], no disco "Verfremdungseffekt blues".
1998 Além Alma. [com Arnaldo Antunes], no disco "um som".
1998 Dor Elegante. [com Itamar Assumpção], no disco "Petrobras".
1998 Enquanto vivo. [com Hilton Barcelos], no disco "Olhos de luz".
1999 - Todo susto sob a forma de um súbito arbusto. [com o grupo Soma], no disco “Hoje cedo”.
1999 - Perdendo Tempo. [com Thadeu; Roberto Prado; e Walmor Douglas], trilha sonora do filme “Bar Babel” da banda Maxixe Machine.
2000 - Dor Elegante. [com Edvaldo Santana], no disco “Edvaldo Santana”.
2000 O Velho Leon e Natália em Coyoacán. [com Vitor Ramil], no disco “Tambong”.
2000 – Reza. [com Titane - musicada por Zeca Baleiro], no disco “Sá Rainha”.
2000 - O Disco Voará. [com Reinaldo Godinho], no disco “Semente bem dita”.
2000 – Reza. [com Miriam Maria - musicada por Zeca Baleiro], no disco “Rosa fervida em mel”.
2000 - Polonaise II. [com Anna Toledo], no disco “Viva!”.
2001 – Luzes. [com Arnaldo Antunes], no disco “Paradeiro”.
2001 - A palmeira estremece. [com Guca Domenico], no disco "Te vejo".
2001Perdendo Tempo. no disco “Cartografia Musical Brasileira - Paraná e Santa Catarina", produzido pelo Itaú cultural.
2002 - Tudo a mil. [com Vange Milliet], no disco “Tudo em mim anda a mil”.
2002Xixi nas estrelas. [com Jair Oliveira], no disco “Superfantástico - quando eu era pequeno”.
2002 – Oxalá (Cesta Cheia De Sexta). [com Gilberto Gil], no disco “To be alive is good”. (Anos 80)
2003 - A lua foi ao cinema. [com Black Maria], no disco “Os quatro elementos-fogo”. (coletânea de bandas paranaenses).
2003 - A lua foi ao cinema. [com Black Maria], no disco “Geração pedreira rock”. (Coletânea)
2004 – Isto. [com Carlos Careqa], no disco “Não sou filho de ninguém”.
2004 - Polonaise. [com Eveline Hecker], no disco “Ponte aérea”.
2004 - Zum-zum-zumGargantaEnquantoDivisa donaComportamentoLive with me(parceria com Shakespeare). A chaveOs incomodados que se mudemNóis fumo. (parceria com Alice Ruiz). AdolescênciaTarde calor o coração das meninas'Gracias, Graciano'Fazia poesia. [com Marinho Gallera], no disco “Fazia poesia”.
2005 – Verdura. [com João Lopes], no disco “Bicho do Paraná acústico”.
2005 - Dor Elegante. [com Zélia Duncan], no disco “Pré-pós-tudo-bossa-band”.
2006 - Filho de Santa Maria. [com Quarteto Repercussão], no disco “Som mestiço”.
2006 - Reza. [com Zé Guilherme], no disco “Tempo ao tempo”.
2006 - Ímpar ou Ímpar. [com Estrela Ruiz Leminski e Teo Ruiz], no disco “Música de Ruiz”.
2007 Cabeça Cortada. [com Neuza Pinheiro], no disco “Olodango”.
2007Além alma. [com Escola de Robô], no disco “Um mais um mais”.
2007 Luzes. [com Arnaldo Antunes], no disco “Ao vivo no estúdio”.
2009 - Chuva. [com Luciana Souza], no disco “Tide”.
2009 - Ímpar ou Ímpar. [com Maísa Moura - Estrela Leminski sobre poema de Paulo Leminski], no disco “Moira”.
2009 - A lua. [com Cid Campos], no disco “Crianças crionças”.


Poema: P. Leminski - Música: João Bandeira - Arranjo: Nahim Marum F.
in: Jornal Nicolau, ano III nº 25, Curitiba, PR, p. 8


"abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri
antigamente eu era eterno"
- P. Leminski
Caetano Veloso, Paulo Leminski e Moraes Moreira
- Foto: (...)

POEMAS ESCOLHIDOS

Hai Kai
O ideograma de kawa, "rio", em japonês, pictograma de um fluxo de água corrente, sempre me pareceu representar (na vertical) o esquema do haikai, o sangue dos três versos escorrendo na parede da página...


HAI
Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

KAI
Mínimo templo
para um deus pequeno,
aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
meu extremo anjo de vanguarda.

De que máscara
se gaba sua lástima,
de que vaga
se vangloria sua história,
saiba quem saiba.

A mim me basta
a sombra que se deixa,
o corpo que se afasta.
- Paulo Leminski, do livro "Distraídos Venceremos", 1987.


No instante do entanto
Diga minha poesia 
E esqueça-me se for capaz 
Siga e depois me diga 
Quem ganhou aquela briga 
Entre o quanto e o tanto faz 
- Paulo Leminski, do livro "O ex-estranho", 1996.



Um poema 
um poema 
que não se entende 
é digno de nota 

a dignidade suprema 
de um navio 
perdendo a rota 
- Paulo Leminski, do livro "Caprichos e relaxos", 1983.



Vontade de chegar
precisa andar 
como quem já chegou 

chega de chegar 

depressa 
é muito devaga
- Paulo Leminski, do livro "Não fosse isso e era menos/não fosse tanto e era quase", 1980.



As flores 
as flores 
são mesmo 
umas ingratas 

a gente as colhe 
depois elas morrem 
sem mais nem menos 
como se entre nós 
nunca tivesse 
havido vênus 
- Paulo Leminski, do livro "Caprichos e relaxos", 1983.


Amor, então, também, acaba? 
Amor, então, 
também, acaba? 
Não, que eu saiba. 
O que eu sei 
é que se transforma 
numa matéria-prima 
que a vida se encarrega 
de transformar em raiva. 
Ou em rima. 
- Paulo Leminski, do livro "Caprichos e relaxos", 1983.


Aqui
aqui 
nesta pedra 
alguém sentou 
olhando o mar 
o mar 
não parou 
pra ser olhado 
foi mar 
pra tudo quanto é lado
- Paulo Leminski, do livro "Caprichos e relaxos", 1983.


Ai daqueles
ai daqueles 
que se amaram sem nenhuma briga 
aqueles que deixaram 
que a mágoa nova 
virasse a chaga antiga 

ai daqueles que se amaram 
sem saber que amar é pão feito em casa 
e que a pedra só não voa 
porque não quer 
não porque não tem asa
- Paulo Leminski, do livro "Distraído Venceremos", 1987. 


Além alma
(uma grama depois) 
Meu coração lá de longe 
faz sinal que quer voltar. 
Já no peito trago em bronze: 
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR. 
Pra que me serve um negócio 
que não cessa de bater? 
Mais me parece um relógio 
que acaba de enlouquecer. 
Pra que é que eu quero quem chora, 
se estou tão bem assim, 
e o vazio que vai lá fora 
cai macio dentro de mim? 
- Paulo Leminski, , do livro "Distraído Venceremos", 1987. 



Arte do chá

ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo
ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo
- Paulo Leminski, do livro "Distraído Venceremos", 1987. 





Aviso aos náufragos
Esta página, por exemplo, 
não nasceu para ser lida. 
Nasceu para ser pálida, 
um mero plágio da Ilíada, 
alguma coisa que cala, 
folha que volta pro galho, 
muito depois de caída. 

Nasceu para ser praia, 
quem sabe Andrômeda, Antártida, 
Himalaia, sílaba sentida, 
nasceu para ser última 
a que não nasceu ainda. 

Palavras trazidas de longe 
pelas águas do Nilo, 
um dia, esta página, papiro, 
vai ter que ser traduzida, 
para o símbolo, para o sânscrito, 
para todos os dialetos da Índia, 
vai ter que dizer bom-dia 
ao que só se diz ao pé do ouvido, 
vai ter que ser a brusca pedra 
onde alguém deixou cair o vidro. 
Mão é assim que é a vida? 
- Paulo Leminski, do livro "Distraído Venceremos", 1987. 


As flores
as flores 
são mesmo 
umas ingratas 

a gente as colhe 
depois elas morrem 
sem mais nem menos 
como se entre nós 
nunca tivesse 
havido vênus
- Paulo Leminski, do livro "Caprichos e relaxos", 1983.



Um homem com uma dor
um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante

carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisas que os valha

ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra
- Paulo Leminski, do livro "La vie en close", 1991.


Três metades
Meio dia, 
um dia e meio, 
meio dia, meio noite, 
metade deste poema 
não sai na fotografia, 
metade, metade foi-se. 

Mas eis que a terça metade, 
aquela que é menos dose 
de matemática verdade 
do que soco, tiro, ou coice, 
vai e vem como coisa 
de ou, de nem, ou de quase. 

Como se a gente tivesse 
metades que não combinam, 
três partes, destempestades, 
três vezes ou vezes três, 
como se quase, existindo, 
só nos faltasse o talvez. 
- Paulo Leminski, do livro "Distraído Venceremos", 1987. 


Pichações de Leminski em São Paulo
"Poesia Pichada" e "Matéria é Mentira"
Crédito do registro: Site "O Guia Verde"

"rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?"
- Paulo Leminski, do livro "Distraídos Venceremos", 1987.









"Sintonia para pressa é presságio"
- P. Leminski


FORTUNA CRÍTICA 
AGRA, Lúcio. Oswald de Andrade e Paulo Leminski: um diálogo. Anais do IV Congresso da Abralic - Literatura e diferença, s/d.
ALBUQUERQUE FILHO, Dinarte. Leminski: O "Samurai Malandro". Editora EDUCS, RS, 2009.
ALEIXO, Ricardo. Um poeta por inteiro. O Tempo, Belo Horizonte, jun. 1999. Magazine.
ANTUNES, Arnaldo. Vida ou vida. Suplemento Literário de Minas Gerais, Belo Horizonte, p. 24, jun. 1999.
ASCHER, Nelson. Leminski combinava excentricidade e exuberância. Folha de S. Paulo, São Paulo, s/d.
ASSUNÇÃO, Ademir. Leminski: o bandido que sabia latim. Revista Medusa, Curitiba, n. 6, p. 3-6, ago./set. 1999.
BAPTISTA, Josely Vianna. Curitiba de Leminski. Gazeta do Povo, Curitiba, 20 de mai. 1996. Caderno G.
BARBOSA, Frederico. Leminski-Vida. Folha de S. Paulo, São Paulo, 24 de nov.1990. Ilustrada.
BONVICINO, Régis. Envie meu dicionário. Cartas e alguma crítica. São Paulo: Iluminuras, 1998.
BONVICINO, Régis. Uma carta uma brasa através. São Paulo: Iluminuras, 1992.
BUENO, Wilson. Prosa que se quer poesia. Suplemento Literário de Minas Gerais, Belo Horizonte, jun. 1999.
CALIXTO, Fabiano; DICK, André. A linha que nunca termina. Rio de Janeiro: Lamparina, 2004.
CAMPOS, Haroldo de. Uma leminkíada barrocodélica. In _____. Metalinguagem e outras metas. São Paulo: Perspectiva, 1992. 213-220 p.
CAPISTRANO, Pablo. Descoordenadas Cartesianas: em três ensaios de quase filosofia.Ed. Sebo Vermelho, Natal, RN, 2001.
CARVALHO, Maria Aparecida Oliveira de (Tida). O Catatau de Paulo Leminski: (des) coordenadas cartesianas. Editorial Cone Sul, 2000.
CARVALHO, Tida. O Catatau de Paulo Leminski, des(coordenadas) cartesianas. São Paulo: Cone Sul, 2000.
COURI, Norma. Dez anos sem Leminski. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 de jun. 1999. Caderno 2, p. D5.
FERRONI, Rosana Paulillo. Leminski: prosa e poesia. Série Paranaenses, Curitiba: ed. UFPR, n. 2, 1994. 35-39 p.
HOLLANDER, Benjamin. Notas sobre Metaformose, de Paulo Leminski. Gazeta do Povo, Curitiba, jan. 2000. Musa Paradisíaca.
JIMÉNEZ, Reynaldo. Paulo Leminski, o ex-estranho. Revista Tse Tsé, Buenos Aires, n. 6, p. 33-35, 1999.
LIMA NETO, Manoel Ricardo. Caprichos e Relaxos: pequeno percurso para uma poesia de vanguarda. (Dissertação de mestrado). Fortaleza: UFC, 1998.
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MARCOLINO, Francisco Fabio Vieira. Oriente ocidente através: a melofanologopaica poesia de Paulo Leminski. Editora Ideia, João Pessoa, PB, 2010.
MARINS, Álvaro. Paulo Leminski, o hai-kai e outras milongas. Revista Range Rede, Rio de Janeiro, ano 5, n. 5, primavera de 1999.
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MENEZES DE MELO, Tarso. Poesia, pão e circo & Paulo Leminski: ofício de fascínio(ensaios). Alpharrabio, Santo André, 1997.
MOREIRA, Paula Renata. Massa para o biscoito e biscoito para a massatensões entre expressão e construção na poética leminskiana. (Dissertação de mestrado). Fortaleza: UFC, 2006.
NOVAIS, Carlos Augusto. As trapaças de Occam: montagem, palavra-valise e alegoria no Catatau. (Tese de doutorado). Belo Horizonte: UFMG, 2008.
NOVAIS, Carlos Augusto. O rigor da vida e o vigor do verso: o haikai na poética de Paulo Leminski. (Dissertação de mestrado). Belo Horizonte: UFMG, 1999.
OLIVEIRA, Fátima Maria de. Correspondência e vida de Paulo Leminski: f(r)icção de (tr)aços ou essa fúria que quer seja lá o que for. (Tese de doutorado). Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2004.
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REBUZZI, Solange Estellita Lins. Leminski, guerreiro da linguagem: uma leitura das cartas-poemas de Paulo Leminski. Editora 7Letras, Rio de Janeiro, RJ, 2003.
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RISÉRIO, Antônio. Leminski e as vanguardas. O Estado do Paraná, Curitiba, 27 ago. 1989. Almanaque.
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SALOMÃO, Wally. Delírio e rigor. Suplemento Literário de Minas Gerais, Belo Horizonte, p. 26, jun. 1999.
SALVINO, Romulo Valle. Catatau: as meditações da incerteza. Educ, São Paulo, 2000.
SANCHEZ NETO, Miguel. Leminski depois de Leminski. Gazeta do Povo, Curitiba, p. 4, 9 jun. 1994.
SANDMANN, Marcelo (org.). A pau a pedra a fogo a pique: dez estudos sobre a obra de Paulo Leminski. Ed. Imprensa Oficial do Paraná, Curitiba, PR, 2010.
SANDMANN, Marcelo. Nalgum lugar entre o experimentalismo e a canção popular: as cartas de Paulo Leminski a Régis Bonvicino. Revista Letras, Curitiba: Editora da UFPR, 1999.
SANTANA, Ivan Justen. Paulo Leminski, intersemiose e carnavalização na tradução. (Dissertação de mestrado). São Paulo: USP, 2002.
SCHMIDT, Jayro. Paulo Leminski: do carvão da vida o diamante do signo. Editora Bernúncia, Florianópolis, SC, 2006.
SCHNAIDERMAN, Boris. Simbioses poéticas. Nicolau, Curitiba, jul. 1989.
VAZ, Toninho. Paulo Leminski: o bandido que sabia latim. Rio de Janeiro: Record, 2001.
VERÇOSA, Carlos. Paulo Leminski, a cigarra. Oku: viajando com Bashô. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia, 1996. 468-487 p.
XAVIER, Valêncio. 1 depoimento. Suplemento Literário de Minas Gerais, Belo Horizonte, p. 28, jun. 1999.

"nadando num mar de gente

deixei lá atrás
meu passo à frente"
- Paulo Leminski






"minha alma breve breve
o elemento mais leve
da tabela de mendeleiev"
- Paulo Leminski

P. Leminski - Foto: (...)
"parem
eu confesso
sou poeta
cada manhã que nasce
uma rosa na face
parem
eu confesso
sou poeta
só meu amor é meu deus
eu sou o seu profeta"
- Paulo Leminski

P. Leminski - Foto: (...)

"Famoso, respeitado, dono de um enorme prestígio, Paulo Leminski realmente ampliou-se ao limite máximo e partiu em direção ao "sonho de outras esferas". Viveu com a intensidade de um samurai zen budista e construiu uma obra seguramente inscrita definitivamente na pele da prosa e da poesia brasileira. Poeta inovador, polemista irreverente, agitador imantado e - fatalidade inquestionável - humano, atingiu uma luminosidade extrema ..."
- Ademir Assunção, [em artigo]. Caderno Artes e Espetáculos do Jornal da Tarde. São Paulo, 29/3/1991.
P. Leminski - Foto: (...)
"eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala"
- Paulo Leminski


DOCUMENTÁRIOS E ANIMAÇÕES
TítuloErvilha da Fantasia - Uma Ópera Paulo Leminskiana
SinopseUm documentário sobre o poeta, prosador e compositor Paulo Leminski a partir de depoimentos registrados em 1985 e reeditados posteriormente a sua morte em 1989, constituindo um verdadeiro testamento de sua obra e pensamento, intermediado por depoimentos de Sylvio Back, Geraldo Magela e Paulo Friebe.
Direção:Werner Schünemann
Tempo: 30 min.
Tipo:Documentário para TV
Formato: Vídeo
Ano de produção:1985
Ano de finalização:1989
Origem: Paraná/Brasil
Produção Executiva: Altenir Silva, Willy Schumann, Werner Schumann
Edição: Eduardo Pioli Alberti.



"lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça"
- P. Leminski

Caprichos e relaxos
Poema com animação, no programa infantil "Castelo Rá-tim-bum"
da TV Cultura de São Paulo, 1994.


"o amor, esse sufoco,
agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro

ah, troço de louco,
corações trocando rosas,
e socos"
- P. Leminski

A linguagem poética de Paulo Leminski


Poetas Velhos
Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
- Paulo Leminski, do livro "Caprichos e relaxos", 1983.

P. Leminski e Alice Ruiz - Foto: (...)


"você pára
a fim de ver
o que te espera

só uma nuvem
te separa
das estrelas"
- P. Leminski

Paulo Leminski, Estela Leminski, Alice Ruiz, Leila Pugnaloni (...)
- Foto: (...)


"pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando"
- P. Leminski



"tarde de vento
até as árvores
querem vir pra dentro"
- P. Leminski


 


P. Leminski, por (...)

"... é a bronca do homem com essa sociedade urbana industrial moderna que é uma macro máquina projetada sobre nós e que é maior do que nós e que nós temos que nos conformar a ela de um jeito ou de outro, queiramos ou não, pra nos tornarmos viáveis enquanto pessoas, pra podermos pagar as contas no final do mês, a escola das crianças e o aluguel da geladeira...
Esse é um dos papéis tradicionais da poesia, é por isso que todos os povos amam os seus poetas. Eu não sei se todos os povos amam os seus cientistas, mas todos os povos amam os seus poetas... no Brasil, poetas, digamos , vamos pegar assim Vinicius de Moraes, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Milton Nascimento, e seus parceiros, os poetas são amados por milhões... por que é que os povos amam seus poetas? É porque os povos precisam disso que os poetas dizem... uma coisa que as pessoas precisam que seja dita, o poeta não é um ser de luxo, não é uma excressencia ornamental da sociedade, é uma necessidade orgânica de uma sociedade, a sociedade precisa daquilo, daquela loucura pra respirar, é através da loucura dos poetas, através da ruptura que eles representam que a sociedade respira. Dessa pressão que eu estava falando, de de repente você ter uma máquina encima de você, que você não escolheu, não pediu, mas não adianta nada você espernear, ela é maior que você..."
- P. Leminski, em documentário, dirigido por Werner Schumann, 1985.


“na rua
sem resistir
me chamam
torno a existir”
- P. Leminski


“Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito, são suas obras completas.”
- P. Leminski




Haja hoje para tanto ontem
Paulo Leminski
cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença
Paulo Leminski
o mais fundo
está sempre na superfície
Paulo Leminski
acordei e me olhei no espelho
ainda a tempo de ver
meu sonho virar pesadelo
Paulo Leminski
tudo dito,
nada feito,
fito e deito
Paulo Leminski
amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
Paulo Leminski
jardim da minha amiga
todo mundo feliz
até a formiga
Paulo Leminski
a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão
Paulo Leminski
ameixas
ame-as
ou deixe-as
Paulo Leminski
soprando esse bambu
só tiro
o que lhe deu o vento
Paulo Leminski
outubro
no teto passos pássaros
gotas de chuva
Paulo Leminski
lá embaixo
vai ter
o que eu acho
Paulo Leminski
o mar o azul o sábado
liguei pro céu
mas dava sempre ocupado
Paulo Leminski
Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além
Paulo Leminski
Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito, são suas obras completas.
Paulo Leminski
Um homem com uma dor

um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegasse atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra
Paulo Leminski
Enchantagem

de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade
Paulo Leminski
"Nessa pedra alguem sentou para ver o mar
Ma o mar,nao parou para seo olhado
E foi mar,pra todo lado.
Paulo Leminski
Leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo,tudo,tudo
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura
Paulo Leminski
Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Paulo Leminski
nuvens brancas
passam
em brancas nuvens
Paulo Leminski
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não porque não tem asa
Paulo Leminski
Merda e Ouro

Merda é veneno.
No entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.
Paulo Leminski
Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.
Paulo Leminski
SE

se
nem
for
terra
se
trans
for
mar
Paulo Leminski




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